Retomando o assunto do preconceito e discriminação… Porque ele não tem como ser bem resolvido em um texto só.

Estava me lembrando do episodio “Here Comes the Neighborhood” de South Park… Um dos meus preferidos por sinal, onde vários ricos (todos negros por sinal) se mudam para cidadezinha, e os pobres (todos brancos) se sentindo oprimidos, resolvem expulsá-los. Suas táticas são, colocar “t” gigantes nos jardins dos neg… Ops! Ricos… Pegando fogo para reforçar o ponto (“t” de “time to leave town”), persegui-los vestidos de “fantasmas”, etc.

O interessante do episodio é a forma como apesar de todas as referencias ao KKK, tanto os negros quanto os brancos simplesmente não mencionavam raça… Apesar de algumas entreolhadas como “entendemos”, nada que fizesse referencia à racismo era dito até o final do episodio (que acaba com um “pelo menos nos livramos destes malditos pret…” com a ultima palavra sendo cortada bruscamente assim mesmo). E aí entra meu questionamento: Fingir que algo não existe faz esta coisa deixar de existir?

Um grande amigo meu disse que certa vez que é complicado reagir sempre que ocorre uma situação de discriminação racial porquê há sempre a sensação de que as pessoas vão dizer “ai, malditos negros que vêem racismo em tudo!”. Outros dois grandes amigos meus comentaram sobre como o racismo é muito mais forte dentro do meio GLS, onde facilmente o rapaz negro é apelidado de “escrava” e gostar apenas de meninos brancos é visto como bom gosto, e não uma forma de racismo.

Entra também os clássicos “Nada tenho contra os gays! Meu cabeleireiro é gay inclusive!”, ou “Eu não sou racista! Só não namoraria um negro ué!”. Os “Como é o nome daquela moça morena mesmo?”, “Meu amigo não é gay! É homo-afetivo” e outras formas estranhas de preconceito disfarçado… Como se a palavra “negro” fosse um xingamento ou como se uma orientação sexual “diferenciada” fosse algo tão complicado que tem que ser sempre dita com um termo cientificista.

Por algum motivo, falar de preconceito é feio! Parece muito mais cômodo para a sociedade como um todo e para as pessoas como indivíduos simplesmente eliminarem do repertorio assuntos que incomodam… E eu acostumado a falar sobre tudo como se tivesse comentando o episodio anterior da novela, tenho dificuldades enormes com isto. Talvez esse seja o maior mal do politicamente correto… “As coisas parecem boas, logo, estão boas”, inibindo assim discussões sobre assuntos mal resolvidos que se não estão escancarados para a sociedade, comem sua carne por baixo dos panos.

E por trás dos “afro-descentendes”, “homo-afetivos”, “portador de necessidades especiais”, temos uma sociedade que ao invés de usar palavras para se comunicar, as usa para se enganar, não resolver seus problemas e não evoluir. Creio que se eu perguntar para meus amigos negros por exemplo, se eles preferem não ser chamados de “pretos” ou se preferem ser tratados como qualquer outra pessoa sendo chamados de “pretos” mesmo, eles ficariam com a segunda opção. Uma propaganda contra a homofobia portuguesa tem o slogan “Pelo direito à indiferença”… E eu acho que neste caso a indiferença, e não uma serie de termos e cuidados ridículos, seria o melhor remédio.

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