Férias

Apesar de eu estar quase de férias na faculdade (faltam exatamente 25 dias, ou seja, três semanas e uns quebrados), assumo que nesse exato momento acharia fantástico tirar pelo menos umas duas semanas da minha vida! Já pensou que maravilha? Duas semanas sem a UEL, sem os problemas, sem a dor de cabeça, sem as pessoas com quem convivo (e sim, nisso incluo até meus amigos, eles também me estressam…). É complicado entrar em detalhes, afinal, qualquer um pode ler o blog, e apesar de eu ter o dom de jogar merda no ventilador sem perceber as vezes, quando eu sei que isso vai acontecer e não to afim de outro banho acho mais simpático ser discreto mesmo! Até porque esse tipo de coisa se resolve em particular, e provavelmente não existe meio menos particular que a Internet… Enfim, antes que eu me desvie mais do assunto, vou ao ponto: Se alguém me pegar menos humorado ou mais irritado nos próximos dias, é basicamente por isso!

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A equipe Ayumi Hamasaki

Eu evito o máximo possível falar sobre j-pop por aqui, dado que pouca gente que me lê se interessa pelo assunto, e os que se interessam conversam comigo sobre isso via MSN… Ainda assim, acho que vou falar sobre um aspecto da carreira de Ayumi Hamasaki que pode vir a ser interessante a qualquer um… De qualquer forma, fiquem a vontade para fingir que este texto não existe se tiverem problema com o assunto!

Quem me conhece, sabe que sou fã de alguns atos de pop japonês, dois em especial com um certo destaque dentro do meu gosto musical. Depois de ler algumas coisas sobre, ver alguns shows, uns clipes etc e tals, achei que seria interessante dividir com o mundo (ou pelo menos a parte dele que lê meu blog) um aspecto interessante de um desses atos: A relação de diva pop Ayumi Hamasaki com sua equipe.

Antes uma pequena introdução: Ayumi Hamasaki é uma cantora japonesa nascida em 1978 que tem uma trajetória de carreira muitas vezes comparada à de Madonna. Menina pobre filha de mãe solteira que abandonou a escola ainda no colegial por não se enquadrar no padrão do “aluno ideal”, em 1998 debutou por acidente na maior gravadora do Japão e de forma assustadoramente rápida, passou de novidade aleatória da música pop que não sabia cantar para um fenômeno de vendas no Japão, influenciando a cultura japonesa com suas escolhas de moda e sendo responsável por boa parte da atual sonoridade de muitos artistas de j-pop. Com três clipes entre os mais caros do mundo, a maior venda de um artista solo na história do Japão e 10 anos de carreira de sucesso num país onde uma cantora de pop costuma durar 2 ou 3, é conhecida como Imperatriz do Jpop em sua terra natal e anunciada como “Vossa Majestade”.

Mas o motivo desse texto não é contar a história de vida de Ayu (como os fãs a chamam), nem comentar suas músicas ou seus lucros… O meu foco de interesse aqui é analisar a forma como ela lida com os que trabalham para ela. Como ela mesma diz, Ayumi Hamasaki não é uma pessoa, é uma grande equipe que trabalha para que sua carreira funcione, e esta equipe envolve desde os músicos aos marceneiros que montam seus palcos em suas turnês. E tendo isto em mente, é interessante se notar algumas coisas… Ela é única artista pop que eu conheço que transforma sua banda e seus dançarinos não em cenário de apoio, e sim em estrelas de seu show!

Trabalhando sempre com a mesma equipe musical (o guitarrista, o baixista e o diretor de som são aos mesmos desde sua primeira turnê com banda, e a formação atual da banda é a mesma desde 2003), assim com mantendo sempre muitos de seus dançarinos (Go-mi e as quatro dançarinas que usa em boa parte de sua carreira a acompanham desde o começo também), é curioso de se notar a forma como em seus shows, ela tira o melhor de cada um deles sem medo de ser ofuscada! Com direito à solos de dança enquanto ela espera sua vez no fundo não iluminado do palco, dançarinos atuando e mesmo cantando, solos de instrumentos e até mesmo um momento em alguns shows em que ela dedica tempo para que a banda converse com a platéia (sim, a banda de apoio dela responde perguntas da platéia e comenta assuntos de suas vidas enquanto a protagonista desaparece por alguns instantes em seu próprio show), o mais curioso é ver como a coragem de deixar de cada um tenha sua porção de holofote ao invés de ofuscá-la, torna o show melhor! Não temos uma diva pop semi-deusa capaz do possível e impossível, temos uma cantora mediana e interprete brilhante fazendo o que sabe fazer melhor e deixando que os que a acompanham também façam o mesmo! E quando você viu o show, não de Ayu, mas de toda sua equipe, ela reserva um espaço no bis para que a equipe que fica atrás dos palcos saia e mostre o tanto de gente que faz aquilo tudo funcionar! E nesse momento fica ainda mais obvio quanta consciência ela tem de que sozinha, não faria metade do que faz em grupo!

Ano passado, a véspera de completar 10 anos de carreira, pouco antes de lançar seu álbum Guilty, esta relação bem estruturada entre chefe e equipe foi declarada alem dos limites de seus shows, quando homenageia esta equipe em quatro dos clipes usados para promover o CD (Talkin’ 2 Myself, rotina de dança com ela e seus dançarinos; Decision, vídeo que mostra basicamente ela cantando enquanto sua banda toca, com closes em cada um dos membros desta; (don’t) leave me alone, onde ela contracena apenas com suas dançarinas e Marionette, onde contracena apenas com seus dançarinos). O resultado disto é você encontrar fotos dela com sua equipe festando seus sucessos, comemorando aniversários, etc. em blogs pessoais destes membros (lembrando que: todos eles tem carreiras separadas da dela, e ela poderia ser facilmente encarada como apenas a chefa…). Não que todo o tratamento entre eles seja a base de doçura e mel, ela é uma empresária e na hora certa, como pode-se notar nos documentários de seus shows, ela pode ser uma chefa bastante rígida, tanto buscando a perfeição no que faz, quanto se preocupando com a segurança de seus dançarinos… Mas ainda assim, esta relação de amizade que transparece nos poucos momentos em que é permitido a ela agir como uma pessoa e não como um Ícone Pop, mostra que as duas coisas podem coexistir.

Se algum dia eu tiver que comandar uma equipe ou trabalhar para alguém, é assim que gostaria que fosse…

Para quem se interessar, vídeos que ilustram o que foi dito no texto:

Talkin’ 2 Myself

Decision

(don’t) leave me alone

Marionette

Humming 7/4 – ao vivo (equipe entra no palco)

Surreal – ao vivo (interação com banda)

ayu

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