Dedicado a André e Cloud 😉

Sou fã do João Emanuel Carneiro desde que assisti Cobras e Lagartos, sou fã da Mariana Ximenes e da Taís Araújo, então logo a idéia de uma novela que trouxesse as duas me pareceu valer uma assistida. Comecei a assistir e logo de cara gostei de alguns personagens, em especial Foguinho (Lazaro Ramos) e Ellen (Taís Araújo)… Quando Da Cor do Pecado reprisou, eu resolvi assistir uns episódios, rapidamente me vi acompanhando pelos dois núcleos cômicos da trama e pela vilã Bárbara (Giovanna Antonelli), também me apeguei ao Afonso (Lima Duarte) e o núcleo familiar que se formou a partir dele. Logo, quando vi que JEC escreveria uma novela das oito (ou seria nove?) carro chefe da poderosa emissora carioca, não posso negar que senti leve empolgação (algo que eu sempre sinto quando vejo alguém cujo trabalho admiro avançando).

A proposta da novela era interessante… Duas protagonistas (primeira vez em uma novela da Globo), um crime misterioso, revelação de quem seria a assassina no meio da trama… Uma novela que seguia pela tendência menos maquineista que as tramas globais vem seguindo a um tempo (não sei dizer desde quando exatamente, mas consigo citar alguns exemplos de novelas onde os papeis principais eram atípicos para este tipo de mídia). A novela estreitou, tínhamos então Claudia Raia interpretando a ambiciosa, explosiva e melodramática Donatela, enquanto Patrícia Pillar defendia a humilde, delicada e controlada Flora. Donatela rica, Flora pobre… Donatela arrogante, Flora coitada… Donatela cotada como vilã, Flora como mocinha.

Os episódios passaram até que finalmente, no que provavelmente é uma das melhores cenas de que me lembro ver em uma novela, o lado de cada uma das mocinhas é revelado e então, cascudo na cabeça do público! Flora era a vilã, Donatela a mocinha e todos foram enganados! Muitos telespectadores ficaram realmente ofendidos com a situação… Devem ter imaginado JEC apontando o dedo para suas caras e rindo enquanto Flora seguia sua trilha de assassinatos rumo a ser o personagem mais interessante da trama e provavelmente a pior vilã que a televisão brasileira já ousou ver!

Os motivos que levaram Flora ao lugar em que chegou foram vários… Não só a interpretação genial de Patrícia Pillar (liderando o numero assustador de ótimas atuações femininas da novela seguida por Claudia Raia, Mariana Ximenes, Taís Araujo, Deborah Secco, Christiane Fernandes, Helena Ranaldi, Giulia Gam, Paula Burlamaqui e Lília Cabral, o outro grande destaque da trama), como também um roteiro que a enchia de situações vilanescas e falas afiadas, sua loucura desmedida e amor obsessivo pela mocinha que queria substituir a qualquer custo. Pronto, tínhamos um monstro assassino com cara de anjo e falta de caráter o suficiente para apunhalar qualquer um, até mesmo a própria filha para atingir seus objetivos.

Sexta passada a novela acabou… Flora não morreu (mas é espancada com freqüência na cadeia onde se autodenomina Donatela), Catarina sutilmente cedeu aos encantos de Stela (uma das relações mais delicadas e bonitas que uma novela já exibiu), Donatela ficou com seu Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia, expressivo feito uma batata), Lara com seu Halley (Cauã Reymond, expressivo feito uma batata com uma cara de criança chorona desenhada) e finalmente descobrimos o motivo do nome da novela em uma das muitas cenas passadas que tem uma estética muito mais cinematográfica do que televisiva…

É… vai fazer falta… 🙂

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