Quem me conhece mesmo que só um pouquinho sabe que eu adoro vídeo-games! Desde muito novinho sempre me interessei por essas incríveis maquinas de diversão, surrealismo e tendinite! Tenho uma grande paixão por jogos de luta (como um post anterior um tanto popular entre desavisados pode acusar com facilidade), jogos de RPG (principalmente da Squaresoft, ops! SquareEnix), alguns simuladores da EA Games e qualquer coisa colorida, despretensiosa e extremamente divertida que a Nintendo resolva lançar.

Mas este texto não é sobre minha paixão por vídeo-games, este texto é sobre uma força maligna que estupra boa parte das minhas boas memórias de infância envoltas em pixeis! Uma força tão aterradora e destrutiva que se torna quase imbatível e impossível de ser ignorada! Uma força que move milhões e milhões de dólares todos os anos… E o nome desta força é… Hollywood!

O primeiro grande ataque de Hollywood à esta minha paixão se deu ainda em 1993, quando algum infeliz resolveu que Super Mario Bros. Merecia um filme. Certo, temos então aqui dois grandes problemas: Mario Bros. não é realmente um jogo com o roteiro mais inspirado… Encanador italiano gordo entra pelo cano para salvar princesa indefesa de dragão tarado gordo do mal cheio de hormônios e filhos… Sério! Não tem muito mais roteiro do que isso! Embora seja mais que o suficiente para manter um jogo, está muito longe de ser perto do suficiente para manter um filme de 104 minutos! E pronto, com uma explicação bizarra cheia de toques de cyber-punk (devia ser moda na época), violaram com crueldade uma das minhas séries de jogos preferidos.

No decorrer dos anos, Hollywood assassinou outras séries como Double Dragon, Street Fighter (onde também mataram Raul Julia), Mortal Kombat (e a continuação, “aniquilação”… pois é, não precisa ser tão explicito) dentre outras séries até que em 2001 lançaram Tomb Raider estrelado por Angelina Jolie (a mulher que todo-mundo-menos-eu-acha-linda mais famosa do universo), o que colocou novamente os filmes de jogos em evidência. Finalmente em 2002 foi lançado Resident Evil, e assim começou o pega-pra-capar das adaptações de jogos de terror em primeira pessoa.

Talvez o ponto mais engraçado nisso tudo seja a falta de pessoas que acham estes filmes bons, apesar de alguns fãs saírem agradados pela fidelidade dos filmes aos jogos de origem, a grande maioria do público sai incomodada… Os fãs pela falta de fidelidade e respeito… Os não fãs pela falta de qualidade cinematográfica (mesmo Final Fantasy sendo um 3d de ponta para a época e Silent Hill sendo visualmente lindo).

Talvez falte aos produtores enxergarem que assim como nos quadrinhos, o espaço entre os quadros tem um preenchimento imaginário do leitor, no vídeo-game os espaços entre as animações que desenrolam a história se preenchem na cabeça do jogador… Certo, você finalmente encontrou o grande-vilão-do-mal-que-vai-destruir-tudo… É fácil para alguém que passou dias e dias enfrentando os inimigos do vilão sentir a dificuldade do personagem (mesmo que seja meramente simulada), até porque o jogador fez aquilo tudo na pele deste personagem… Mas como passar isso em um filme? O nível de identificação não é o mesmo! A grande maioria dos protagonistas de jogos nem tem personalidade, para cada um se ver neste papel da forma como achar melhor!

Não estou dizendo que não se deve adaptar jogos ao cinema, mas isso deve ser feito com um cuidado ligeiramente maior… Você espancar jacarés virtuais sendo um macaco pode ser divertido, mas nem por isso seria divertido ficar duas horas assistindo o mesmo macaco fazendo a mesma coisa! E por favor, não considerem isso uma sugestão de se fazer um filme de Donkey Kong! Mas tomar cuidado para preencher da melhor forma possível as lacunas nas personalidades dos personagens e no roteiro, lembrando-se sempre que como se tratam de duas mídias diferentes, os apelos são diferentes também… Se aprenderam isso em relação aos filmes de quadrinhos, tenho esperança de que aprenderão em relação aos de vídeo-game também! 🙂

Próximas adaptações: Street Fighter: The Legend of Chun-li – 2009 (outro?!), Far Cry – 2009, Tekken – 2009, Prince of Persia: Sands of Time – 2010, The King of Fighters – 2010 e BioShock – 2010.

Aqui: Lista de adaptações para cinema de jogos

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