A pequena menina esperta de vestidinho vermelho que é pentelhada pelos meninos do bairro (dentre eles, um em quem tem um possível interesse amoroso) está ganhando uma versão adolescente inspirada nos mangás no Brasil! Não… não é Turma da Mônica Jovem… Estou falando deeeeeeee Luluzinha e sua Turma Teen!

A editora Ediouro gastou uma nota preta comprando os direitos da personagem estadunidense para adaptá-la a este mercado, com direito a nomes de peso como Glória Kalil (no “mangá” seu livro é creditado) e uma participação especial de Pitty! E eu juro que quis escrevem algo sem comparar com TMJ, mas é complicado…

O maior incomodo é o fato de que dos personagens originais, só restaram os nomes e as cores dos cabelos… As personalidades e aparências físicas foram completamente modificados no processo e os personagens reduzidos à exteriotipos de tribos urbanas hypadas no atual nicho jovem: Luluzinha é a blogueira comunicativa, Aninha virou gamer, Bolinha (com ares de galã) agora é rockeiro, Glória é a fashionista e Alvinho é surfista… Fora isso, nada pode ser dito sobre as personalidades. O traço é feio, amador e inconstante… O roteiro faz usos acertados de gírias cotidianas do publico jovem, mas é fraco e confuso… Os personagens centrais tem nomes em português enquanto os novos (e há um batalhão deles, como se o universo de personagens de Luluzinha não fosse grande) tem nomes gringos… Esquisito! Me incomodou muito também  o fato do vilãozinho da primeira parte ter saído impune porquê “todos merecem uma segunda chance”… O menino só destruiu quase o colégio todo, tentou acusar terceiros de invasão e destruição de propriedade, hackeou todos os computadores da escola e fez ameaças a bomba! Travessuras típicas de adolescentes incompreendidos! Coitado! Vou fazer vista grossa para a identidade visual chupinhada. 😉

Antes que digam que só tomo essa posição por ser fã do trabalho do tio Maurício, TMJ também tem suas falhas, embora eu as considere mais sinais de inexperiência para lidar com um público que não domina e dificuldades para adaptar personagens rasos (mas eficientes dentro de seu objetivo) para uma forma mais esférica… E a cada edição vejo todas estas dificuldades sendo aos poucos contornadas… O que é diferente de fazer um trabalho com clichês moldáveis seguindo uma fórmula inexistente de sucesso em um projeto caça-níqueis.

Mas para não dizer que tudo é ruim, a campanha de marketing sendo usada é fantástica! Cada um dos personagens tem um Twitter, Luluzinha tem um blog que pode ser acessado (com conteúdo exclusivo para quem souber a senha da semana) e o uso da Pitty como famoso imã de adolescente órfão foi bastante acertada. Mas nem isso vale os R$ 6,40 do produto ruim…

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Mudando (um pouco) de assunto!

Tio Maurício está com um projeto de uma série animada em computação gráfica para a Turma do Penadinho, logo abaixo, o trailer! A qualidade da animação é fantástica!


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